Home > Artigos > Débora Mendonça > Pessoas diferentes, mas produtos e campanhas iguais
Por Débora Mendonça*
O tempo todo ouvimos falar da evolução das mulheres e das novas posições que ocupam no mercado de trabalho, mas o quanto estamos mesmo mudadas? É certo que há pessoas em diferentes níveis, determinados por fatores como escolaridade, renda, local e condições em que vivem. Mas até onde as empresas estão preparadas para segmentar seus produtos e serviços não por gênero, mas por tipo (pode chamar de estilo, mas é mais que isso) de mulher?
Veja o caso das namoradas de motociclistas que usam capacetes cor-de-rosa. Não dá para discordar que é um sucesso de vendas, mas note que isso é um também um estereótipo de feminilidade com grande índice de rejeição. Ninguém vende capacete para motociclistas de verdade dessa cor, pode procurar na Harley-Davidson. Você também não encontrará amantes da vida em duas rodas, devidamente motorizadas, vestidas como Penélopes. Mulher que gosta de moto escolhe seus acessórios entre os masculinos mesmo, não por serem masculinizadas, mas por falta de opção adequada.
Outro exemplo de estereótipo: um casal em uma festa ou restaurante pede uma bebida alcoólica e outra sem álcool. Invariavelmente, o garçom entrega o copo da bebida mais forte para o homem. Se o contrário seria indelicado, é puro preconceito não perguntar antes de servir. Historicamente sexista, a indústria cervejeira já encontrou a consumidora, ainda que falte muito para adequar seus comerciais a todos os gêneros. Mas daí a imaginar um comercial de Johnny Walker falando para nós, mulheres...
Cada vez mais frequentes, ações de buzz marketing via redes sociais descortinam fácil o gosto do freguês. Flecha certeira. Recentemente uma marca de sabão em pó lança sua versão sabão líquido pelo Facebook. Imagine se todas as mulheres, das mais prendadas às mais descoladas não se inscreveram para ganhar uma amostra grátis? Talvez a gente não tenha mesmo mudado tanto assim, mas pelo menos muitos homens também aderiram.
Daí a imaginar que a Mariana, personagem da outra história, faz tudo igual sua mãe e sua avó faziam, soa tão estranho quanto ver Fernanda Montenegro e Fernanda Torres em cena doméstica na lavanderia de casa, argumentando sobre o tal sabão em pó. Pobre Mariana que, imaginando garantir seu futuro a partir da aposta no homem certo – ela sonha tão pequeno, coitadinha – passará o resto da vida separando as roupas brancas das coloridas. E não se enganem, não somente mulheres erram assim.
Talvez seja o caso da indústria segmentar seu público não por gênero, mas por interesse. Até porque, entre homens e mulheres existem muito mais classificações do que pode imaginar a vã filosofia. E, para complicar, se tem uma coisa que ninguém gosta é de rótulo. Numa variação do ECR praticado há mais de uma década, em que produtos são agrupados por finalidade de uso (cantinho do bebê, do churrasco, do diabético), já pensou se resolvem fazer gerenciamento por tipos de pessoas, agrupando em gôndolas itens essenciais para este ou aquele perfil? Não duvido que alguém adote a idéia, até que o consumidor, do contra, misture em seu carrinho de compras tudo outra vez.
* Débora Mendonça é jornalista pós-graduada em Comunicação Corporativa e Marketing pela FECAP. mendonca.debora@hotmail.com
DOUGLAS TEIXEIRA
Publicitário | TV GAZETA
O mundo é machista, quando derem conta que o MAIOR consumidor é mulher, vão começar a mudar. bjos
Data: 28/10/2010
Wanderley Correa
Jornalista | NetCallCenterOrbium
Parabéns pelo artigo Débora.
Data: 28/10/2010
Débora Mendonça
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Agradeço os comentários postados aqui e também pelos recebidos via e-mail, entre eles alguns incluindo relatos de situações semelhantes onde impera o estereótipo. Como lembrou a Gisele, do Rio, na hora de servir a um casal um hamburguer e uma saladinha, o garçom sempre aposta que a salada é para ela! E por aí seguem em sucessão de erros. Obrigada a todos.
Data: 25/10/2010
FERNANDO ADAS
PUBLICITÁRIO | FINE MARKETING
Brilhante olhar Débora. Segmentação comportamental é fundamental para entender e se comunicar com o público. E o Varejo ainda precisa avançar muito nesse sentido. Beijos. Sucesso.
Data: 25/10/2010
Belkis Menezes
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Parabéns pelo artigo ! Interessante e muito bem escrito !
Data: 24/10/2010
Eduardo Kikuta
Gerente Administrativo | Jet
Parabéns pelo artigo!! O exemplo clássico da bebida para o casal não poderia deixar de ser citado nesse artigo!
Data: 23/10/2010
Caio Camargo
Gerente de Negocios | Gad' Retail
Ola Debora ! Parabens pelo artigo ! Um grande abraço, Caio Camargo
Data: 22/10/2010
Jean
Aux. Adm. | AESA
Concordo plenamente. Não somos (Nós seres humanos) produtos ou rótulos. Não somos classificados e dificilmente alguem vai gostar apenas do Azul. Somos multicolors! Somos iguais e diferentes.
Data: 22/10/2010
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Fábio Penedo
Supervisor de Criação
Onde está: Script
Onde estava: Giovanni+DRAFTFCB
Para: reforçar a equipe
Nicholas Bergantin | Redator da área de Criação Online
Onde está: AGE Isobar
Onde estava: Young & Rubicam
Para: auxiliar no desenvolvimento de campanhas da agência
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