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Uso indiscriminado do Whatsapp: Mais presença e menos emoticon

Se não questionarmos o excesso, brevemente teremos entrevistas de emprego em que o candidatos apertarão play para mostrar um vídeo de uma apresentação deles mesmos

Por | 08/09/2015

pauta@mundodomarketing.com.br

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Venho percebendo a febre do uso da ferramenta whatsapp a cada dia. No bar, na sala de espera do dentista, no ônibus, na sala de reunião. Não adianta o professor dar uma aula show, a matéria ser interessante, a reunião produtiva, a paisagem deslumbrante e o papo envolvente. A ferramenta de comunicação online veio para ficar e parece que sempre vencerá na hierarquia de prioridades. Basta o celular tremer ou o barulhinho de chegada de mensagem tocar que vamos direto entrar no chat. O virtual cada vez mais sobrepõe o físico, para nossa tristeza, como previu o filósofo Zygmunt Bauman. 

O whatsapp corresponde ao 5 maior aplicativo baixado no Brasil e o segundo maior em uso no mundo, perdemos apenas para a Índia. A minha geração, a geração Z, todos na faixa dos 30 e tal, teve que aprender a lidar com a ferramenta, conhecer e se adaptar, assim como a todas às outras tecnologias que surgiram com o advento da web. Quem não se lembra do discador da UOL após a meia noite? Nós simplesmente tivemos que aderir, enquanto a nova geração nem soube o que é viver sem wifi. 

- Mas professor, como você marcava um cinema sem o whatsapp? E se alguém furasse? Escuto com frequência estas perguntas em palestras e salas de aula. É como se o mundo sem a ferramenta fosse em preto e branco, não funcionasse, não fosse possível ter encontros. 

Não sou contra esta tecnologia, principalmente quando usada como mais uma forma de comunicação, como outras que já usamos. Uma parcela das pessoas usa a ferramenta de forma controlada, inteligente, como mais uma plataforma, assim como o e-mail, o próprio telefone e todos os apps. Mas quero falar da outra parcela, que faz uso excessivo, que vem acreditando que podemos substituir o presencial, a fala, a oratória, o olho no olho. 

Pesquisas confirmam que hoje a geração Y e Z escrevem mais que as outras gerações (se escrevemos certo já é outra historia), o que considero bem relevante e importante, devido ao uso da ferramenta. O que efetivamente me preocupa é que muitos desenvolveram um pavor, ainda maior, de falar em público. 

Glossofobia é o nome desse medo deste medo de falar em público. Estudos mostram que três em cada quatro sofrem deste mal no mundo, que pode se manifestar de diferentes formas: ansiedade intensa, náuseas, suor frio, boca seca, dentre outros. Em alguns casos, apenas imaginar uma situação de exposição pública já é suficiente para desencadear alguns desses sintomas. 

E acho que o whatsapp não tem ajudado muito neste cenário de medo de exposição pública. Ainda é uma pesquisa empírica, puro "achismo" feita por mim, no meu projeto de coaching e treinamento com essa geração mais nova, que tem uma desenvoltura fantástica com a ferramenta, porém, imensa fobia para se comunicar fora dela. Isto pode ratificar que estarmos mais conectados ao virtual, e ainda mais distantes do presencial, da conversa ao vivo, do contato com grupos e principalmente, falar para platéias. 

Falar em público exige autogerência, controle, foco, conhecer bem o tema, treino, muito treino e, principalmente, troca com a platéia. E é justamente aí que mora o perigo: trocar pelo whatsapp tudo bem, a ferramenta não requer preparação; agora, defender o mesmo argumento olhando para o público, exige muito mais de nós.

Precisamos incentivar uma exposição maior das novas gerações. As escolas não têm ajudado muito neste processo, nem mesmo os pais, e estão desperdiçando boas oportunidades de aproximação e troca com seus filhos. Temos que incentivar que busquem o prazer em falar, apresentar idéias, dividir projetos, vender conceitos, olhar no olho. As melhores oportunidades, não raro, acontecem para os que não temem a exposição, principalmente no mercado de trabalho.

Se não questionarmos o excesso, brevemente teremos entrevistas de emprego em que o candidatos, ao invés de se apresentar para os executivos da empresa, num palco, em power point, para provar que merecem a vaga, apertarão play para mostrar um vídeo de uma apresentação deles mesmos. Encarar uma platéia, explanar uma idéia, sempre exigirá mais que enviar um emoticon. 

Por: Augusto Uchoa

Graduado em Comunicação - ESPM, mestre em Administração - Ibmec-RJ doutorando pela Coppe/UFRJ. Atuou como gestor de marketing e comercial durante 12 anos em grandes empresas (VARIG, Brasil Veículos e CLARO). No setor educacional foi coordenador geral e professor de IES (IBMEC, ESPM, COPPEAD) Atuou também como autor-roteirista da Rede Globo e atualmente é sócio da Zero21treinamento e coach de oratória criativa


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