Existem profissões soberanas e outras que a cada dia tornam-se progressivamente subservientes em que o conhecimento é irrelevante. Na área biológica ou em exatas poucos se aventuram a palpitar. Já imaginou o paciente informando ao médico que prefere o medicamento A ao invés do B ? Ou o acionista informando o engenheiro que quer estressar o cálculo e levar os materiais daquela ponte ao limite? Se acontecer uma vez, pode ter certeza que não terá uma segunda.
Na nossa área é diferente. Todos entendem de marketing. Uma vez eu estava apresentando uma concorrência de comunicação em um fundo de investimento, quando entrou um rapaz para pegar assinaturas e enquanto aguardava o executivo assinar os papéis, começou a olhar a apresentação e cinco minutos depois comentava e opinava sobre o trabalho.
Uma das áreas que todo mundo “domina”, são as pesquisas qualitativas. E não só opinam. Basta assistir 2 ou 3 grupos e já tem profissionais que passam a moderar grupos. E pior, analisar os resultados com a profundidade de um pires. Processos grupais são complexos e como o ser humano tem facetas e nuances, não é possível interpretar comportamentos literalmente. No subterrâneo de uma declaração às vezes encontra-se sua antítese.
Alguns profissionais estudam anos a relação entre as cores, harmonia, significados e combinações e aí chega um profissional que nem viu o brief, que não entende do assunto, estava passando na porta da reunião e recomenda a troca da cor daquela embalagem por outra que pessoalmente prefere.
Estas situações acontecem também com textos, conceitos, produtos, displays, roteiros de filmes, direção de arte de comunciação, músicas em lojas e em spots e por aí vai.. Não é uma questão de aumentar o logo. É uma questão de reconhecer que tem pessoas que fizeram um curso superior, trabalham em suas áreas há anos e quando recomendam um caminho, uma embalagem, uma abordagem, uma campanha ou uma estratégia, ancoram-se não em seu gosto pessoal,mas no conhecimento adquirido em estudos, na literatura e na vida prática.
E sabem o que estão fazendo. Se não sabem, contrate quem saiba e utiilize seu conhecimento para aumentar as chances de sucesso. Acredito que seja o imponderável das ciências humanas que abre esta lacuna para a falta de profisionalismo. A questão é que justamente por existir o imponderável, as empresas deveriam se cercar de conhecimento.
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Lucas Frutig
Poxa, gostei do post e espero que pessoas como essas que confundem gosto pessoal com estratégia de marketing,planejamento de mídia,de criação, enfim leiam e absorvam a informação, pois realmente é complicado lhe dar com essas situação. Sou estudante ainda, mas já vejo esse deficit em nossa profissão. Parabens pelo artigo!
Estudante PP e Marketing | Lime Web Data: 16/03/2010
Carla Gonzaga Rabetti
Muito realista essa matéria... ser profissional de marketing é um grande desafio, temos que disputar nosso espaço e nossa credibilidade com pessoas que tem conhecimento em corel ou em photoshop e acreditam ser desegner gráficos, ou então com pessoas que atuam por anos na área comercial e acreditam entender tudo de estratégia de marketing e ai saem fabricando produtos e campanhas que agradam o olhar ou o bolso, mas que são pouco eficientes!
Analista de marketing | Data: 16/03/2010
Fádua Andrade
Excelente o conteúdo do post. Já tive acesso a "planos de marketing" que não passavam de uma programação de inserções de mídia... existe um desrespeito generalizado por nossa profissão o nos leva ao desafio diário de buscarmos nosso reconhecimento.
Administradora - habilt. MKT. | Proloja Data: 16/03/2010
Evandro Lima
Ótimo artigo.Só fiquei curioso para saber a situação que o motivou.
abraços,
http://visaoevandrolima.blogspot.com
Adminsitrador | Banco de Eventos Data: 16/03/2010
Caio Camargo
Excelente conteúdo.
Essa questão do "cara que entra para pegar assinatura e já vai opinando", já testemunhei diversas vezes.
Já vivi situações de que à escutar alguma opinião desse nível, o cliente (dono da empresa) aceitou a mesma, por considerar a opinião como "opinião do consumidor"...rs.
Diversas empresas preferem a opinião de um dois indíviduos que avaliam e opinam sem nenhum critério do que a opinião do profissional contratado e adequado para a tarefa.
Vai entender...
Um grande abraço,
Caio Camargo
Planner | Fantasy Publicidade & Propaganda Data: 16/03/2010
Marcos Moraes
Todo mundo acha que pode ser jornalista...é o mesmo caso.
Jornalista/Marketeiro | Desempregado atualmente Data: 16/03/2010
Renato Carlet
Muito bem escrito o texto.
É triste ver a falta de profissionalismo com a qual nossa área é tratada, profissionais de comunicação estudam por toda uma vida, especializam-se cada vez mais e mais, lidam com verbas muitas vezes maiores que as de engenheiros e mesmo assim tem suas opiniões questionadas por pessoas despreparadas que muitas vezes surgem em uma sala opinando em cores, conceitos e conteúdos gerados após horas (facilmente semanas a fil) de muito trabalho e ainda sentem-se donos da razão e da verdade.
Uma pena, devemos passar a nos impor um pouco mais e exigir a credibilidade e o respeito que o trabalho merece, afinal lidamos com as vidas das marcas que garantem a vida das pessoas.
Profissional de marketing e design | Teklamatik Data: 16/03/2010
Felipe Simões
Beth,
a proposta do artigo é válida, pertinente. Só acho que é preciso te cuidado para não cairmos no corporativismo, no classismo, pois canudos e títulos não fazem bons profissionais necessariamente.
| Data: 16/03/2010
Pedro Mizcci Majeau
No começo considerei agressivo o título do artigo. Após leitura e reflexão sobre o assunto notei aspectos fabulosos que até então pensava que só acontecia comigo.
Uma vivência que compartilho no ambiente WEB Marketing:
Temos a experiência de construir com êxito as comunicações estratégicas web de várias empresas. Em dado instante, quando ocorre uma oscilação para baixo nos índices das métricas de avaliação de resultados temos aí os mais diversos questionamentos inclusive dos fundamentos que ajudaram a construir o sucesso.
Acredito que a habilidade de comunicação pessoal em tratar destas situações em muito reside as decisões mais acertadas quando, junto ao cliente na persuasão das discusões, se estas apresentarem base sólida de referências acadêmicas praticadas em casos de sucesso.
Mais ainda, a paciência, a tolerância e a compreensão ampla para com o trato do cenário de negócios, do seu autoconhecimento e conhecimento dos envolvidos na discussão em muito contribuirão para o encontro de uma solução de aceitação da maioria dos decisores.
Somado a isto, o exercício de educar e instruir os participantes em cada fase do processo de negociação, com empatia e permissão destes, quando necessário e quando você conquista a autoridade para isto, pode conduzí-lo a patamares superiores de discussão com nosso cliente, saindo das discussões da "perfumaria" do processo para as discussões do que efetivamente cumpre função estratégica para a conquista do resultado desejado.
Muito Agradecido,
WEB Marketer | Negócios de Valor Data: 16/03/2010
Marcelo B. Savioli
Cada vez mais se faz necessário uma reflexão sobre o que é verdadeiramente o Marketing.
Marketing é um componente do negócio, cuja responsabilidade é identificar oportunidades, ajudar na criação de ofertas, comunicá-las, posicioná-las na mente do consumidor, monitorá-las através do seu ciclo de vida, atualizá-la, readequá-la e substituí-la.
Tudo que envolve esse ciclo acima: pesquisa, concorrência, publicidade, distribuição, formação de preço, retorno de investimento, mais pesquisa, PDV, gestão da marca, comunicação integrada, estratégia geral de negociação, ações promocionais, pós-venda tudo é atribuição de profissionais de Marketing.
Está longe dessa discussão.
Jornalista | Freela Data: 16/03/2010
Cirleide Pessoa
Primeiro parabéns pala forma claro de sua abordagem. Afinal não é isso que a maioria das pessaos acham? Marketinh, ah isso e venda, ha isso é propaganda, ah isso televisão, ah isso é facil e por fim isso qualquer um faz , ah era só isso , ah isso eu já tinha pensado. Pagar por isso.
Neste caso em breve este ser ira ter um amontoado de materiais publicitarios vendidos por qualquer espertalhão que não se preocupa com o que o cliente quer, e sim em cumprir suas metas de vendas de anuncios X ou Y,deste modo o que nos resta?? Digo a vocês, não esmorecer e todas as vezes que formos questionados deixemos que falem, o ser humano tem libre arbitreo para isso. Após isso depois de muito bla blá, ai sim a tacada de mestre. Ok você tem toda razão quando diz isso mas, posso lhe apresentar uma otima forma de adequar tudo que você sabe, a uma otima estrátegia com busca de resultados , mensuravéis , o que vc acha????
Cirleide Pessoa
Londrina PR.
Profissional de Marketing | ACCORSI IND. E COMERCIO DE CAFES LTDA. Data: 16/03/2010
Luciano
Gostei da abordagem do artigo. Isso realmente acontece na prática, mas acho que sempre vai acontecer pelo espírito da nossa atividade. Sem querer ser corporativista, como aqui já foi falado, mas temos que nos valorizar mais. Temos que cobrar por honorários, sentou em nossa mesa tá pagando a consulta. Outra coisa chega de planos de mídia, comunicação, projetos que serão avaliados, entrar em concorrência ou outr balela a mais...encomendou já paga pelo custo do projeto. Abraços aos colegas.
Publicitário | Tarantino Comunicação e Marketing Data: 16/03/2010
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 16/03/2010
A criatividade tem muitas definições. Uma delas é: “criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonias ..." (Torrance, 1965). “Tornar-se sensível”, enxergar, olhar para o comum e perceber o extraordinário. Este é um conceito democrático: é uma opção ser sensível. Ou não.
De vez em quando surgem negócios singelos e pra lá de criativos de tão sensíveis. Por exemplo, negócios que vendem um produto só, como a Maria Brigadeiro e a Brigaderia. As duas marcas vendem um dos doces ícones brasileiros em versões gourmets: o brigadeiro.
Os sabores trafegam por experiências exóticas, brasileiras, etílicas, clássicas, castanhas e por aí vai. Lojas que vendem apenas um produto são uma obviedade em alguns segmentos ( como celulares) e em outros, uma prática muito inventiva. Então é assim. Pessoas sensíveis reinterpretam o mundo.
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 15/03/2010
Há muitos anos, as categorias contempladas pela venda direta são essencialmente as mesmas: cosméticos, embalagens, nutrição, vestuário, dentre outras poucas. Como o canal contempla o atendimento a domicílio por consultoras, possui algumas limitações para ampliação de categorias. Em tese.
A marca The Traveling Vineyard, que atua no mercado norte-americano, estruturou o canal para vender vinhos. A ideia consiste em realizar experimentações em domicílio para grupos de amigos ou redes de relacionamento.
Como a degustação de vinhos é um ato social, a grande vantagem para as pessoas que participam deste evento é a experimentação compartilhada em ambiente mais sedutor.
Para o consultor sommelier, este tipo de serviço possui maior amplitude e maior conversão de vendas a custos mínimos, já que o anfitrião assume os custos da degustação. O serviço inclui aulas sobre os vinhos e seus melhores acompanhantes gastronômicos. Tem sempre alguém que olha o que sempre vimos e enxerga algo diferente.
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Tiago Fiamenghi
Ideia muito interessante para ser aplicada no Brasil, ainda mais na região onde vivo, afinal no sul temos bons vinhos.
Abraço.
Profissional do Marketing | 4fix Inside Experience Data: 10/03/2010
Erica
Apesar de ainda não termos o serviço de degustação de vinhos em domicílio por aqui, nossas vendas diretas estão impulsionadas.
O Boticário, quem diria, com planos de aderir às consultoras enquanto a Avon torna-se uma das maiores vendedoras de livro porta a porta. Novidades à vista :-)
publicitária | Data: 13/03/2010
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 09/03/2010

O Grupo Talent de Comunicação sempre soube detectar a alma do brasileiro a partir de insights simples e geniais. Em um destes momentos criou um posicionamento para a Ipiranga que, como outros, entrou para a história da comunicação: “Apaixonados por carros como todo brasileiro”. Agora, os amantes de carros ou aqueles que desejam pesquisar sobre o assunto podem contar com o blog do Paulo Levi, um publicitário que atuou em grandes agências nas quais trabalhou com grandes marcas de automóveis. O blog Adverdriving é uma junção de suas duas paixões: propaganda e comunicação (“adver") e cultura automotiva (“driving”). É uma delícia de blog e você pode ajudar a ampliar seu conteúdo com perguntas e reflexões. Confira: http://adverdriving.blogspot.com/
E aqui fica um agradecimento pela dica da Cecília Novaes da www.aartedamarca.com.br
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 09/03/2010

Muitas vezes sentimos que não damos conta de tudo que precisamos ler e saber a respeito de um assunto e que não temos tempo para absorver todas as informações disponíveis na atualidade. O fato é que precisamos encontrar caminhos para lidar com a profusão de estímulos que estão aí fora, porque a tecnologia nos trouxe uma realidade plural e complexa que só irá aumentar. O problema é que tentamos transportar necessidades analógicas para um mundo digital. Toda vez que vejo ferramentas de visualização de dados, entendo que são o passe para análises múltiplas rápidas e para a melhor absorção de informação em tempos complexos. No TEDxSP, Fernanda Viegas, designer computacional, apresentou o Many Eyes, um “tradutor” desenvolvido na IBM que permite lidar com dados em escala humana. Veja o vídeo em que ela explica como funciona. E neste link http://tinyurl.com/yezuxut você pode encontrar alguns infográficos que ajudam a compreender o universo de mídias sociais. A questão não é então que não damos conta da pluralidade de informações, mas que estamos lidando com elas com as ferramentas inadequadas.
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 07/03/2010
Fundada em 1893, a Galeries Lafayette é uma das melhores traduções de inspiradoras experiências de compra da atualidade. Além do formato tradicional de departamento, que comercializa vestuário, calçados, acessórios e beleza, o grupo abriu operações independentes de moda casa, com a Lafayette Maison; e alimentos, com a Lafayette Gourmet. A experimentação e a interatividade são exploradas em todas as suas potencialidades, em que a melhor forma de venda dos produtos é a degustação.
Nada, porém, é de graça, já que os serviços tornaram-se uma importante fonte de receita. Na Lafayette Gourmet, há mais de 10 alternativas de mini-restaurantes tematizados. O cliente pode escolher o Espaço Salmão e degustar cinco diferentes pratos de carpaccios e frutos do mar com champanhes ou vinhos brancos. Ou então pode optar pelo Espaço de Frios, em que são oferecidos presuntos espanhóis e vinhos tintos, e completar a refeição no Espaço de Queijos, Sobremesas e Cafés. São alternativas de refeições rápidas, porém todas com o charme que os franceses dedicam à culinária. Impossível não comprar produtos, impossível resistir a experimentar algum dos restaurantes. Esta é a melhor tradução do varejo contemporâneo: serviços que enaltecem produtos, produtos que estimulam serviços.
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 04/03/2010

Com o crescimento da demanda por transporte aéreo nos últimos anos, muitos países identificaram a oportunidade e reinventaram a experiência de compras em aeroportos. Cidades como Amsterdã, Copenhagen, Barcelona e Londres oferecem verdadeiros estados da arte em shoppings aeroportuários. Para além do Duty Free, esses aeroportos exibem marcas varejistas renomadas e não restritas ao segmento premium em vestuário, calçados e moda casa. A área de gastronomia também é uma inspiração, até mesmo para os shopping centers tradicionais, ao oferecer alternativas de restaurantes que não se restringem ao fast food. O Brasil poderia inspirar-se nessas experiências, principalmente nesta época em que passamos horas e horas e horas nos aeroportos.
Imagem: Aeroporto de Copenhagen
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Erica
Concordo! Nossos aeroportos poderiam fazer o mesmo. Não se restringir ao segmento premium, como você colocou, seria um ponto importante, principalmente tendo em vista os milhões de brasileiros que ingressaram na nova classe média e logo, logo, estarão voando mais e mais.
publicitária | Data: 13/03/2010
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 03/03/2010
É sempre inspirador analisar produtos revolucionários, mas entender como alguns visionários reinventam commodities é muito instigante. O segmento de águas tem sido alvo de novidades nos últimos anos, como as alternativas saborizadas. Porém, é na categoria super premium que há cases desconcertantes.
A marca norueguesa Voss é um bom exemplo. Além de um produto de qualidade, já que as fontes norueguesas são tidas como de uma pureza excepcional, o que inspirou a marca é intangível. Os idealizadores entenderam que o produto teria que ter uma conotação aspiracional para criar um espaço no já superlotado mercado de águas. Um dos aspectos que os inspirou foi perceber que muitas pessoas gostam de mostrar que estão carregando água, o que significa, no segmento premium, expressar sofisticação e estilo. Com esse insight, a concepção da embalagem foi um dos aspectos mais relevantes do projeto, aliada a uma forma de distribuição bastante seletiva.
Foram escolhidos inicialmente apenas hotéis design, varejistas premium e restaurantes e bares descolados em capitais européias e norte-americanas. Ancorando essa distribuição, o entendimento de que a propaganda boca a boca de formadores de opinião é a chave para um produto aspiracional. O altíssimo padrão que norteou todos os aspectos do negócio: fontes, canal, design diferenciado em todas as expressões da marca e embalagem tiveram sua inspiração no setor cosmético e não no de bebidas. Mais um exemplo de produto que inspira-se em um setor muito distinto do seu, reafirmando que inovação requer pensamento não-linear.
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 01/03/2010
Em Milão, a região da Corso Como tornou-se, nos últimos anos, uma das maiores concentrações de estilo e moda do mundo.
Sem dúvida, a loja localizada no número 10 (que absorveu seu endereço como marca) é uma das maiores responsáveis por inserir a rua e seu entorno no circuito dos grandes espaços comerciais mundiais.
A Corso Como 10 foi talvez uma das primeiras lojas ancoradas em estilo de vida do mundo, ao comercializar produtos comumente encontrados em diversos formatos de loja.
É possível comprar CDs, livros, artes em geral, luminárias, móveis, roupas, acessórios, cama/mesa/banho, cosméticos, patês e geléias, entre muitas outras categorias. É, em síntese, uma loja para os que amam design. Depois da abertura da loja, o empreendimento foi ampliado com uma cafeteria, um restaurante, uma galeria de arte e o hotel 3Rooms, que tem apenas três quartos.
Nos últimos anos, surgiram muitas lojas ancoradas em estilo de vida, o que significa que, mais que vender produtos, o objetivo é atender aos anseios de pessoas com aspirações visadas pelo formato, oferecendo um mix amplo e diversificado de produtos.
O modelo do negócio não nasce das competências de seu empreendedor, mas do conhecimento profundo de um estilo de vida.
Pessoas que gostam de design compram utensílios cheios de bossa para cozinha, são ligadas em roupas estilosas, compram livros e revistas ligados ao tema, investem mais em móveis e, assim, o formato pode comercializar todos esses produtos. O sucesso foi tanto que - claro - expandiu seus horizontes e a marca além de Milão agora pode ser encontrada em Seul e Tokio .
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 28/02/2010
Giles Lipovetsky é um autor obrigatório em consumo para entender as entrelinhas dos desejos desta época complexa. Giles tornou-se um pensador referencial com seus livros A Era do Vazio, lançado em 1983, o Império do Efêmero, de 1987, uma leitura obrigatória sobre moda, O Luxo Eterno, de 2005, e A Felicidade Paradoxal, de 2007, dentre outros.
Tempos Hipermodernos é um outro clássico que trata do consumo superlativo da sociedade do excesso contemporânea e, com ela, o fim da era pós-moderna e a entrada na era hipermoderna. Utilizando uma metáfora do pensamento filosófico, a era pós- moderna começou no dia em que a panela deixou de ser um utensílio doméstico e tornou-se um objeto decorativo. Ou seja, quando o desejo do supérfluo transformou-se num anseio em escala coletiva.
Já os tempos hipermodernos são o retrato destes tempos superlativos em que todos os aspectos da vida humana atingiram a escala hiper: megalópoles em crescimento descontrolado, hiperconsumo desenfreado e hiperconteúdo em proporções opressivas. Todas as facetas da vida humana tornaram-se hiperefêmeras e, em consequência, descartáveis. Por tudo isso vivemos a era da incerteza por excelência, mas poderíamos chamá-la de era hipermoderna. Este é o livro perfeito se você quer, de fato, entender os tempos atuais segundo prismas mais profundos. Nada melhor que a nada vã filosofia.
Crédito foto: K. Santos
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 23/02/2010